Said Trindade estava apreensivo com a proibição dos canudinhos de plástico. O produto é artesanal, aumentou em 60% as vendas na barraca e ainda pode virar adubo após o uso


Diante da proibição de canudinhos plásticos em diversas cidades do país, uma ideia inusitada e ecológica surgiu no centro de Belém. Said Trindade, um comerciante Paraense, que trabalha com a venda de cocos há quase 30 anos na Praça Batista Campos em Belém (PA), teve a brilhante ideia de utilizar canudos feitos de bambu. 

“Eu pensei no canudinho de bambu num momento de desespero. Eu trabalho vendendo coco aqui na praça há mais de 30 anos. Eu só sei vender coco, não sei fazer mais nada e estava preocupado com a possível proibição dos canudinhos de plástico, como acontece em outras cidades. Nesse momento eu me lembrei do bambu. Eu sou de Concórdia do Pará e lá tem muito bambu”, relata o vendedor.

Artesanal, o produto é fabricado na própria casa de Trindade. Segundo ele, o canudinho surge a partir de cortes simples no bambu, que então é higienizado com álcool, água e sabão para matar bactérias. O acabamento é feito por fim com um processo de lixamento.

Aumento nas vendas de cocos

Segundo Said, o sucesso dos canudos veio pelas redes sociais. Ele conta que uma cliente gostou da ideia e fez uma postagem divulgando o produto. A repercussão foi rápida e deixou a barraca conhecida na praça. O sucesso foi tanto que as vendas cresceram mesmo em período de baixa temporada.

“Eu comecei a fazer os canudos em julho de 2018, mas ninguém tinha dado muita importância. Até que veio uma cliente aqui, gostou da ideia e postou nas redes sociais. No dia seguinte o canudo já era um sucesso. Em menos de seis horas, todos os canudos que eu tinha terminaram. Por conta disso, voltei pro interior e produzi mais canudos. Minhas vendas cresceram em 60% justo no período de chuvas aqui na região, quando eu vendo menos coco”, explica.

Said Trindade trabalha com a venda de cocos há quase 30 anos — Foto: Reprodução/ TV Liberal

Próximos passos

Said diz que os canudos estão abrindo novas portas. Ele já recebeu um convite da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA) para falar sobre a invenção. Além disso, o vendedor já está comercializando os canudos para outras barracas na praça.

“A procura pelo canudo é muito grande, e as outras barracas se sentem pressionadas a fazer algo parecido. Eu vou aproveitar isso é deixar a praça mais sustentável. Vou cobrar um valor simbólico de cada barraca para a produção do canudo, só envolvendo a mão de obra. Futuramente eu penso em vender para outras empresas fora da praça”.

O uso de canudos de bambu representa cerca de 8 mil canudinhos a menos no lixo em cada mês, somente na barraca de Said.“Aqui na praça nós vendemos muito coco. Eu vendo cerca de 2 mil cocos por semana. Em um dia de muito movimento, a praça toda vende 5 mil cocos por dia. Isso representa 5 mil canudinhos que vão pro lixo. Se a gente conseguir reduzir é excelente. O canudo de bambu ajuda nisso. Não é porque a gente trabalha na rua que a gente vai bagunçar tudo. Um pouco que a gente faça já ajuda em muito a natureza”.

Com informações de G1

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